TESTEMUNHOS

 

“Vivi momentos inacreditáveis, experiências incríveis, coisas que só mesmo em África é que se vive!! Fiz coisas que nunca na vida achei que era capaz de fazer, senti Deus na minha vida como nunca antes tinha sentido! Eu pedi forças e Deus deu-me dificuldades para me fazer forte; Eu pedi sabedoria e Deus deu me problemas para resolver; Eu pedi prosperidade e Deus deu me cérebro e músculos para trabalhar; Eu pedi coragem e Deus deu me obstáculos para superar; Eu pedi amor e Deus deu me pessoas com problemas para ajudar; Eu pedi favores e Deus deu me oportunidades. Eu não recebi nada do que pedi, mas recebi tudo o que precisava. Agora sinto falta daquela gente, daquela simplicidade e alegria constante, de acordar de manhã e pensar “O que é que Jesus vai por hoje no meu caminho? Será que vou ser capaz?”. Agora sei que nada é impossível e que nós somos capazes de tudo! Que com amor, paciência, resistência e resiliência conseguimos transformar os pequenos pormenores da vida em feitos enormes e assim mudar o mundo! Agora estou aqui, mas um dia vou voltar!!””

Leonor – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

“A nossa ida para Moçambique foi uma das melhores senão a melhor experiência da minha vida.
Sem dúvida foi o mês em que mais cresci e aprendi. Dei de mim tudo o que tinha e o que não tinha e em troca recebi o mundo. Lá vivi a alegria de um povo que nada tem mas que tudo dá. Aprendi que a simplicidade é um dom e reaprendi que a gratidão e a humildade são duas das qualidade mais importantes que uma pessoa pode ter. Num mês cresci muito e agora espero continuar a aplicar na minha vida o que aquele povo me deu e me ensinou. Uma parte de mim ficou em Moçambique e espero levar Moçambique sempre comigo para onde quer que for.”

Mariana – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

“O que lá vivi foi uma intensa e espetacular jornada! Moçambique tornou-me realmente mais simples … o que lá vivi nem sempre foi fácil, e isso tornou-me uma pessoa que sabe agradecer o que tem… as pessoas com quem lá vivi são tão alegres que contagia, e isso ensinou-me que para ser alegre não é preciso ter coisas mas querer ser ! O que lá vivi foi uma união e amizade com os voluntários, educadores e crianças! O que lá vivi fez-me perceber o sentido desta frase: ” Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. ” E agora ?!… Comecei as aulas, a minha rotina, sinto me diferente e tinha medo de me esquecer de pequenas coisas que foram importantes e que fizeram com que a minha vida mudasse, mas percebi que se continuar a cultivar tudo o que aprendi lá e usar isso no meu dia a dia, nunca me vou esquecer ! E agora ? não vou deixar de ajudar a fundação porque não é impossível ajudar à distância, não vou deixar de me dar com os voluntários porque passaram a ser meus amigos para a vida!”

Teresa – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

“Em Moçambique vivi a pobreza africana. Estamos habituados a ouvir falar da pobreza africana há muito tempo, e temos plena consciência que ela existe, mas aqui de longe não é possível percebermos o que lá se passa. É preciso ir. Lá vivi esta pobreza, falei com esta pobreza, ajudei-a, comi á mesa com ela, ri-me com ela, fiquei chateado com ela, conheci-a, e acima de tudo, aprendi muitas lições com ela. Acabei por ficar amigo dela! Em Moçambique desligámos do nosso dia-a-dia e não tivemos outra hipótese senão dar o melhor que há em nós, gratuitamente. A lidar com os problemas reais de pessoas reais. Agora, é assentar a poeira e começar a varrer a casa. São muitas as lições que aprendemos lá, que chegamos cá meio confusos. O contraste entre o estilo de vida africano e europeu é mesmo muito grande. Agora, depois de perceber que a minha vida continua e é nela que sou chamado a ser bom, tento fazer com que o que lá vivi não tenha sido em vão. Realizo que isso é tão simples como olhar para os nossos pais, irmãos e amigos e fazer o que for preciso fazer, gratuitamente, sem cruzar os braços, e com alegria! Tal como fizemos em Moçambique durante um mês. É esta a grande magia da pobreza africana: apesar da miséria, fome e doenças, ela ensina-nos a ser simples e alegres dentro dos nossos problemas! Agora que conheci a pobreza africana quero que ela volte para Portugal comigo e quero ser mais como ela!”

Miguel – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

“O que lá vivi foi incrível, pode parecer um bocado clichê dizer que foi incrível e único e que quero lá voltar mas são mesmo as palavras que mais descrevem o nosso mês espectacular, foi incrível tanto individualmente como grupo, formamos um grupo espectacular e trabalhamos muito bem em equipa! Não tenho dúvidas que vamos todos ficar amigos para a vida e que vamos voltar todos juntos! Um mês a conhecer uma cultura diferente, pessoas com realidades e vidas diferentes, histórias de vida completamente diferentes das que nós estamos habituados, os sonhos daqueles miúdos com quem nós lidávamos e estávamos todos os dias! Vivemos 1 mês inteiro numa realidade muito diferente da nossa e do que nós estamos habituados a ver e a viver! Vivemos e conhecemos coisas muita fortes neste mês, desde ver pessoas e bebés a morrer, a bebés a nascer, a crianças a morrerem à fome, a crianças abandonadas, a transportar mortos para a morgue, a limpar o hospital onde tivemos uma semana a fazer o que fosse preciso, a doar do nosso próprio sangue para salvar vidas, a remodelar escolinhas, formar jovens e educadores, a uma felicidade do povo moçambicano no meio de tanta pobreza, a visitar bairros muito muito pobres! Tanta coisa! Tantas histórias para contar! Todos os dias convivíamos com crianças da Fundação LVida e não só, desde de manhã até ao fim da tarde! Todos os dias éramos bem recebidos em qualquer sítio onde fossemos, todos os dias tínhamos crianças atrás de nós com um sorriso de orelha a orelha e com uma felicidade gigante por nós estarmos ali! Foi 1 mês em que cresci muito, em que passei a ver as coisas com mais simplicidade e humildade e quero continuar a alimentar isso! Foi um mês em que senti Deus de uma maneira especial todos os dias em mim, no nosso grupo, em todas aquelas pessoas, em todas as coisas q nós fazíamos, em todas as histórias e coisas que víamos! Foi Deus que nos enviou e nos ajudou todos os dias! E agora?? E agora, tenho saudades de todos aqueles miúdos, de tudo o que lá vivi e aprendi, todos os dias penso em todas aquelas pessoas na sua simplicidade e alegria contagiante. Em tudo o que Deus me colocou à frente durante aquele mês, em todos os obstáculos ultrapassados. De todas as vezes que duvidei ser capaz e que a força daquele povo me fez conseguir. E agora só quero agradecer muito e dizer que vou voltar!”

Binha – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

“Vivi num mês o que ansiava por experimentar há anos… Em Moçambique pude estudar e tentar perceber a realidade de um mundo tão diferente do nosso. Vi o que é viver na pobreza, o que é comer, trabalhar e estudar na pobreza, como é ficar doente e como é tratar doentes na pobreza, como é ter bebés na pobreza, como é morrer na pobreza. Vi, acima de tudo, como é viver com tanta dignidade tendo tão pouco. E aprendi que é possível ser alegre e feliz assim. Foi um mês bem cheio: de trabalho, de experiências, de relações, de oração, de transformação. Mas também de paciência, de esforço e de muito cansaço. Foi preciso mudar de planos várias vezes, encaixarmos-nos num ritmo e em mentalidades que não são os nossos, puxar pela cabeça e pela criatividade. Foi sobretudo uma grande lição de humildade, dada por quem nunca nos pediu que lá fossemos e que reage de uma maneira diferente à que esperamos, mas que depois nos desarma com a sua simplicidade e alegria verdadeira de nos receber. Também vimos uma Igreja cheia de vida, exemplos de Fé gigantes e uma maneira mais fácil e óbvia de seguir Jesus. E, claro, fiz amigos que trago no coração: uns que voltaram comigo e outros que ficaram mas que sei que nos vamos encontrar outra vez, mais cedo ou mais tarde! E agora? Agora posso testemunhar a importância do papel das ONGs para a vida de tanta gente por este mundo fora, e para pessoas concretas com que me cruzei. Agora dou pela minha cabeça e pelo meu coração a voltarem a toda a hora para o Dondo e para a Fundação, a tentar adivinhar o que estará a acontecer, a pensar no que mais podemos nós fazer por eles. E agora voltei uma Mafalda mais encontrada e com mais certezas de por onde é o meu caminho.”

Mafalda – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

Acordar bem cedo de manhã, -trabalhar, -ao anoitecer rezar e ir dormir. Para alguns esta rotina mata, mas na minha opinião estas três coisas foram algo que durante o mês que passei em Moçambique me deram uma paz extraordinária. Começando pela primeira coisa, acordar cedo, para mim a maior das pequenas grandes coisas, foi para mim uma bússola diária, e uma forma de treinar a minha auto-disciplina. A segunda o trabalho, foi nesta actividade que comecei a aprender a ter paciência com as pessoas, a não ser tudo como eu quero, em Moçambique experimentei a imprevisibilidade total. Tentei ensinar o máximo que pude, principalmente a nível moral, mas na verdade aprendi eu mais com as pessoas que lá conheci. Aprendi a fazer carrinhos de arames que com certeza irei ensinar aos meus filhos se os tiver! Aprendi também que lavar o chão de um hospital pode ser uma tarefa de uma grande beleza. Por último, quando chegavam os dias ao fim, quando acabava o barulho e toda a barafunda, o ouvir os grilos e olhar para um céu tão estrelado e tão pouco poluído, o sentar e rir e contar as historias que se haviam passado uns aos outros, não tinha preço possível. Rezávamos todos os dias em agradecimento e foi isto também que nos uniu muito como grupo. Quando me deitava, pensava ‘isto sim é um dia à maneira’ e logo seguir truca. Agora vim estudar para a Áustria e o mundo é outro, quero desenvolver-me mais academicamente, mas como o meu pai dizia, ‘África é um boomerang vais e queres sempre voltar’, acho que não podia estar mais certo, quero voltar. Mas… o futuro a Deus pertence”

Afonso – Grupo de Voluntário APOIAR 100 Limites (agosto 2016)

 

«Lá no meio de um manto verde um povo sobrevive. É essa a sua forma de vida. Mesmo assim, em cada rosto há um sorriso fácil, um olhar acolhedor e um cumprimento afável. Fico a pensar que são nos pequenos gestos que a humanidade vive. Aprendo que com pouco faz-se muito e que a “maior riqueza vive dentro de nós”. Obrigado!»

Tiago Pina – Centro Jovem Tabor
Visitou a FLVida no âmbito do Projecto MUANA TABOR

 

«Em 2010 uma amiga convidou-me para ser voluntária na Fundação Lusalite Vida. Na altura não estava a estudar e não trabalhava, por isso aceitei vir para a FLVida como voluntária.
Logo que comecei a trabalhar pedi a Fundação para trazer os meus dois filhos para o ATL o mais velho tinha 3 anos e a mais nova 2 anos. Expliquei a Fundação que não tinha como sustentar os meus filhos porque nem eu e nem o pai trabalhávamos. A minha filha estava muito doente e eu já não contava que ela fosse viver por muito tempo. Tinha ido a hospital, mas nunca conseguia saber o que ela tinha e por isso não conseguia fazer o tratamento certo. Com a ajuda da fundação pude levar a minha filha ao hospital e conseguir um atendimento melhor, ela estava com má nutrição grave tinha uma infecção com nível avançado.
A Fundação ajudou-me a melhorar a dieta da minha filha e com a medicação toda. Em cerca de seis a oito meses a minha filha com mais de 2 anos começou a ter forças para estar de pé e já começava a dar os primeiros passos. A assistência não parou por ai. A Fundação deu-me oportunidade para poder trabalhar como assistente no ATL e assim conseguir ganhar algum dinheiro para sustentar os meus filhos.
Hoje vivo com os meus filhos e tenho uma vida mais segura e saudável».

Cidália Ribeiro Boina

 

«Conheci a fundação através do meu trabalho. Sou costureiro há mais de 24 anos e sempre trabalhei em casa, uma vez e outra fazia trabalhos para outras pessoas, mas o que conseguia ganhar nunca chegava para ter a vida organizada. Vinha fazendo trabalhos ocasionais para a Fundação e durante este período ensinaram-me a traçar objectivos e a fazer economia para conseguir. Na altura ter uma bicicleta era muito importante para mim, porque assim poderia transportar a minha máquina com mais facilidade e conseguir mais trabalho. Segui os conselhos dados pela Fundação e consegui juntar dinheiro suficiente para comprar uma bicicleta.
Mais tarde a Fundação abriu um centro de corte e costura e eu fui convidado a trabalhar nele. Aceitei com muito gosto e estou muito feliz porque sinto que a minha vida esta a melhorar cada vez mais. Já consegui cobrir a minha casa com chapas e tenho planos de aumentar mais um ou dois quartos porque tenho muitos filhos. A fundação deu-me esta oportunidade e eu aceitei, hoje tenho uma vida muito melhor».

Tomé Cabdula Morareia

 

«Para mim a Fundação L. Vida, é a concretização de um sonho! África é uma paixão! Passar por África sem tentar a mudança, não fazia qualquer sentido para mim!
O programa de combate à pobreza absoluta no Dondo é ambicioso, mas é possível!. Só temos que trabalhar com profissionalismo, dedicar, ajudar, encorajar, começar todos os dias como se fosse o primeiro e amar!
A Fundação L. Vida é uma Fundação para a VIDA, e por isso, a ela me dedico todos os dias, como se fosse o primeiro! Com muita vontade de mudar e de melhorar a vida da população do Dondo!Que Deus me ajude a continuar com tamanho projecto!»

Helena Ribeiro Telles da Cunha (sócia fundadora e Directora)

 

«A globalização não se circuncreve a podermos jogar on-line com cidadãos de Bogotá ou a vermos, em tempo real, o transito em Nova York.
Ela é também um fenómeno que me permite, sentada à secretária, ajudar a mudar a vida de alguém.
A fundação L.Vida ajuda-me a fazer um exercício fundamental á Felicidade plena de qualquer pessoa – o exercício da solidariedade!
E a sentir o espírito de assim ser, de verdade e de coração, um Verdadeiro cidadão do mundo».

Cristina Velozo (madrinha da FLVida)

 

«Eu sou uma das madrinhas felizardas da FLvida que já teve a sorte de pegar na sua afilhada, a Martinha, ao colo! Eu estive lá, no Dondo, e vi todo o trabalho extraordinário que está a ser feito com ela e com todas as crianças a que a FLvida consegue chegar. Apadrinhar estas crianças, custa muito pouco, mas ter um Padrinho/Madrinha faz toda a diferença nas suas vidas!»

Isabel Silva Pinto (madrinha FLVida)

 

«A Fundação LVida é uma obra dum carinho, de uma entrega e de um pensar nos outros muito grande! É uma obra muito bonita!»

David Ribeiro Telles

 

«Conheci um dia a Helena da Cunha, em Maputo, através de amigos comuns. Impressionou-me de imediato o seu dinamismo e entusiasmo pelo novo projecto que tinha em mãos, a criação da Fundação L. Vida, cujo objectivo principal, conforme me explicou, era apoiar a população residente nas terras da antiga Fábrica Lusalite, na Beira, Dondo.
Se assim o pensou melhor o fez e, como trabalhamos ambas na mesma área, não perdeu tempo em desafiar a associação a que pertenço a colaborar nos seus projectos. Começou com uma creche para as muitas crianças, criou connosco APOIAR-ONGD um centro de informática para apoio aos jovens, e como forma de lhes dar ferramentas para obtenção de um melhor emprego. Ajudou as mulheres a gerarem algum recurso para o parco orçamento familiar, ensinando-as a fazer conservas de fruta, de piri-piri, que ela mais tarde vendia. Construiu um centro de saúde e avançou, uma vez mais com o nosso apoio para um projecto de Apadrinhamento que hoje permite alimentar bem, parte dessas crianças.
Visitei esta obra em 2007 e não pude deixar de me encantar com os resultados obtidos. As crianças estão mais gordinhas e atentas às suas actividades escolares. As mulheres felizes com a felicidade dos filhos. Os jovens mais confiantes e seguros com os seus conhecimentos informáticos. Mais, já não é apenas a Helena a ocupar-se de tudo. Já tem colaboradores locais eficazes e preparados que a substituem na sua ausência.
Tenho uma experiência de 15 anos de cooperação humanitária em Moçambique e posso afirmar que este é seguramente um dos projectos mais equilibrados que tenho encontrado».

Laura Gonçalves Pereira
APOIAR-ONG

 

«Em Janeiro deste ano fomos ao jantar de beneficência da fundação Acreditar/Lvida. Encontramos lá uma fotografia da Julieta Domingos de 4 anos que nos cativou, a mim e à Ana, pela postura determinada e olhar rebelde. Com um pequeno gesto, apadrinhando a pequena Eta, criamos condições para que pudesse continuar na escola e com apoio alimentar e de saúde.
Há um par de semanas, numa viagem à Beira, fiz uns quilómetros mais e fui ao Dondo visitar o projeto da Fundação Lvida.
O que vi, no meio da alegria da criançada, superou as minhas expectativas.
As infra-estruturas são simples mas funcionais, em cada canto conseguimos ver o esforço e a dedicação ao projeto, conseguimos ver como com tão pouco se faz tanto.Como se consegue num sítio tão distante e isolado ter uma sala de informática.Como se criam bases a tantos miúdos.Como se cria beleza e vida.
Não consegui deixar de sentir alguma emoção com a oportunidade dada a todas estas crianças. Parabéns à Helena e à sua equipa. O vosso esforço vale claramente a pena!»

João Carriço

 

«Acabo de chegar à Beira após 55 anos de ausência! Vim para Moçambique pela primeira vez em fevereiro de 1950. O destino era o Dondo, pequena povoação com um posto administrativo. Hoje é uma cidade!!! Vim viver para a “Lusalite”, empresa aí localizada, para onde o meu marido viera trabalhar. Agora venho em visita! Acompanharam-me alguns dos meus 11 filhos (não foi possível reunir todos embora a vontade fosse muita).
É esta uma viagem para: reviver, recordar e matar saudades do maravilhoso tempo que por cá passei. Mas a par desta viagem, vem a muita vontade de conhecer a FundacaoLVida justamente localizada na ex-Lusalite. Na nossa família temos 7 afilhados, que gostaríamos de conhecer pessoalmente e darmo-nos a conhecer. Para tal contactámos a Maria Helena, exprimindo o nosso desejo! Imediatamente se disponibilizou a fornecer todos os meios para que tal visita fosse possível.
Assim, como combinado, no dia 25 de Setembro estava à porta do hotel a sua colaboradora Mécia! Encantadora, eficiente e muito bonita! Num bom transporte percorremos os 90 km que distavam até ao Dondo. Ao longo do caminho foi-nos elucidando e respondendo às mil perguntas que fazíamos, fruto da ansiedade que trazíamos: não queríamos perder nada nesta oportunidade bem desejada.
Chegados então às instalações da FundacçãoLVida eu tive um sentimento muito muito forte de alegria!!! Ali estavam os edifícios que tínhamos começado a construir há 55 anos! O meu marido e eu lançámos a primeira pedra para o então “Club Social” e ainda tenho fotografias tiradas na ocasião! Ali estava o parque infantil! E estava a patinagem! Com as suas bancadas! E o tanque para os pequeninos!!! Tudo bem aproveitado, e bem mantido.
Acolheram-nos então à porta da escola as “Mamanas” como eu lhes chamo. Alegres, comunicativas, e encantadoras. Com as suas batas encarnadas, aventais, e lencinhos de cabeça muito coloridos, eram por si só uma alegria. Impondo uma disciplina necessária, fizeram de seguida, entrar as crianças bem pequeninas, que se sentaram em mesinhas de 4. Os bibes impecáveis, e sorridentes, apenas um pouco expectantes, e curiosas em perceber o que estavam ali a fazer aqueles “Mesungos”. Fomos então ajudando a servir o almoço (um bom arroz com hortaliças) para que se familiarizassem connosco e se sentissem à vontade. Serviu-se o primeiro grupo dos pequeninos, e seguiram-se o segundo grupo dos mais crescidos. Tudo na melhor ordem.
E findo o almoço começou então a brincadeira! Jogos, cantorias, bailados, empurra, empurra, puxa, puxa, salta, salta! Colos, mimos, eu sei lá! Os meus filhos pareciam tão crianças quanto eles, e eu gozando aquele espectáculo delicioso! Chegou então a altura de conhecer os nossos afilhados. Foi bom, mesmo muito bom conhecê-los e conhecerem-nos. Mas a nossa atenção não foi só para eles mas para todos os que ali se encontravam. O meu afilhado Amolive – Xico, está muito bonito, forte e falador.
As “Mamanas” por fim impuseram o sossego. Era a nossa vez de nos sentarmos, com elas, para almoçar. Deram-nos um muito bom frango assado com arroz e seguido de fruta. Sempre acompanhados pela Mécia fomos então conhecer as instalações d Fundação. Sala de escritório, ali via-se muita arrumação, organização e bom ambiente de trabalho entre aqueles que nos acolheram. Seguiu-se a sala de “corte e costura”. Excelente iniciativa! Ficámos muito bem impressionados. Mostraram-nos os seus trabalhos, que com eles ajudam a angariar fundos para a Fundação e de algum modo darem-na a conhecer. A minha filha Sofia já antevia um voluntariado que permitisse alargar a iniciativa. Gostámos mesmo muito!
Por último tive uma grande surpresa! Trouxeram até mim um antigo colaborador da “Lusalite”. Ainda se lembrava de nomes, famílias, etc daquela época. Foi com um grande abraço que nós despedimos. Eu fiquei muito sensibilizada por se terem lembrado de algo que muito muito me tocou! Não sei se consegui transmitir minimamente o quanto gostámos e apreciámos o trabalho que estão a fazer. Dar às crianças aquilo a que têm direito e tantas vezes lhes falta: educação, formação e … Amor. A FundaçãoLVida está a preencher essa lacuna.
Em meu nome e dos meus filhos um muito muito obrigada. Deus vos ajude».

Maria Cristina Frade, “Tia Mariasinha”

 

«Em Novembro p.p., fui a Moçambique (na Primavera de lá) por motivos pessoais e profissionais, e não quis deixar de incluir no meu programa de viagem um “saltinho” ao Dondo, para visitar os “afilhados” da Fundação L. Vida – afinal é só 1h30 de avião entre Maputo e a Beira, e sempre se conhece esta cidade tão ligada à longa permanência dos portugueses naquele país e de que tanto tinha ouvido falar nos anos 60 e 70.
Tendo chegado de noite – depois de cerca de ½ hora de viagem de carro entre a Beira o Dondo – a primeira agradável surpresa que tive ao sair de casa na manhã seguinte (por contraste com a pobreza que vira antes, quer nas cidades, quer sobretudo fora delas) foi o belíssimo enquadramento em que a F.L.Vida se encontra inserida: um aldeamento de moradias unifamiliares construído nos anos 50 para acomodar os quadros dirigentes da “Lusalite” e suas famílias (a que se juntam um outro conjunto habitacional para os trabalhadores locais e ainda um outro para as chefias intermédias, desfrutando em conjunto de um clube social, igreja, escola, posto médico, recinto desportivo, parque infantil e outras instalações necessárias para amenizar o isolamento decorrente da distância de centros urbanos importantes), dispostas ao longo de ruas largas balizadas por exuberantes acácias em flor (de uma cor de laranja forte, cor-de-fogo) e com inúmeras mangueiras carregadinhas de bonitas mangas nos jardins, de cuja manutenção se encarregam permanentemente alguns trabalhadores locais.
É neste bonito enquadramento paisagístico – e aproveitando as instalações do antigo Clube social dos trabalhadores da “Lusalite” – que se encontra a funcionar a Fundação L. Vida, num espaço muito bem arranjado e cuidado, dispondo de uma sala grande onde funciona o refeitório e a sala de ATL, e de um Centro Informático para os mais velhos; no exterior foi construída uma nova Cozinha (para dar resposta às crescentes necessidades de preparação de refeições para as quais a cozinha do bar do clube era muito acanhada) e adaptada uma outra edificação para um Centro de Corte e Costura. Foi ainda criado um Viveiro de Plantas – para apoiar e fomentar o plantio de culturas pelos locais, bem como promover a defesa de algumas espécies autóctones da floresta que vem sofrendo grandes ataques, devido à chegada da dita “civilização”. Para quem quiser ficar com uma ideia visual do local e das instalações, poderá ver as fotografias clicando aqui.
Infelizmente, devido à altura do ano a maioria das crianças já tinha iniciado o período de férias de Natal, pelo que apenas algumas dezenas de crianças pequenas (da creche) se encontravam no local, brincando e cantando à sombra das mangueiras (ao cuidado das auxiliares educativas presentes), enquanto a cozinheira lhes preparava o almoço.
Não foi por isso possível encontrar-me pessoalmente com os meus “afilhados”, mas deixei à simpática responsável local do projecto alguma pequenas lembranças para eles e guloseimas para todos, e fiquei com a certeza que iriam ficar muito felizes por eu ter lá estado e me ter lembrado deles, pois no dia seguinte tive oportunidade de assistir à entrega de presentes de outro padrinho a algumas outras crianças presentes, e vi a alegria e o sorriso imenso que lhes inundou as caras à medida que iam recebendo aquilo que para nós padrinhos são pequenas lembranças insignificantes, mas que para eles são todo um novo mundo de roupas, utensílios, brincadeiras e/ou sabores que lhes é dado descobrir – como diz o povo, “quem nada tem, o pouco, muito lhe parece”, e eles de facto têm todos muito pouco!!!
Tive ainda oportunidade de dar uma volta a pé pelas redondezas (a meio do dia), onde me apercebi de alguns contrastes, mas sobretudo do muito trabalho que há para fazer e do apoio humano e de recursos básicos que os locais (tal como os moçambicanos em geral) ainda necessitam (e muito!):
– No conjunto habitacional destinado aos trabalhadores locais, chama a atenção a diferença enorme entre as condições das habitações já recuperadas, e aquelas que não sofreram ainda qualquer intervenção de reabilitação;
– Enquanto que nuns quintais alguns adultos se entregavam indolentemente à conversa (e a consumir as mangas que estavam ao alcance da mão), outros fizeram questão de mostrar orgulhosamente as suas pequenas “machambas” (hortas) em que se ocupavam na plantação e cultivo de algumas espécies (mandioca, milho, piri-piri, etc.) destinados ao auto-consumo ou a serem trocados/comercializados por outros produtos básicos;
– Não pude também deixar de notar a diferença abissal de apresentação (higiene, roupa, calçado e até expressão facial) entre as crianças com que me cruzei ou que vi a brincar pelas ruas do aldeamento e as que estavam ao cuidado das empregadas da F.L.Vida – e que espelha bem a diferença que esta faz e a influência que tem no dia-a-dia das crianças que estão ao seu cuidado.
Destes dois dias de visita ao Dondo e à “Fundação L. Vida” guardo duas coisas – a memória viva do sorriso e alegria das crianças que estavam à guarda da Fundação, e a certeza que esta é um trabalho notável de disponibilidade pessoal e perseverança dos seus fundadores e colaboradores, com um impacto tão importante na vida das pessoas que acolhe e apoia como a de cada Primavera para a regeneração cíclica da Natureza».

Luís Matos Pires